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Julia

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Ao nascer, Julia foi diagnosticada com uma doença de pele muito séria que a fez tomar corticóides e ser internada durante sua infância. Ser gorda sempre foi uma questão na vida dela, tanto pelo uso dos corticóides, que a engordavam, como por sua genética. Já aos oito anos, começou a freqüentar a academia. Ela se lembra de ser a única criança submetida àquele ambiente de emagrecimento pela família. Aos 13, com a ajuda de remédios, Julia perdeu dez quilos. Foi quando ela comprou roupas novas para uma festa com seus amigos. Ela estava muito feliz por ter conseguido beijar o garoto L. na festa, as pessoas estavam comentando e ela se sentiu capaz de ser desejada por alguém. Nos próximos dias, ele não a procurou mais. Ela, então, ficou sabendo que o garoto L. tinha vergonha de ficar com ela, já que Julia era gorda. Eu ia quase me esquecendo de dizer que ele também era gordo. O garoto L. é, na verdade, a representação do homem machista e da gordofobia que massacra, pouco a pouco, pedaços dos...

Bibliotecária cria livraria especializada em autoras negras

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Para ampliar o acesso à literatura feita por mulheres negras, a empreendedora Ketty Valencio, de 34 anos, criou a Livraria Africanidades e lança, neste mês, um novo site, com acesso facilitado, livros com frete grátis, promoções e sorteios que vão além de marketing ou mercado: passam pelo ativismo político. O site permite a compra virtual e também o pagamento parcelado e traz títulos que dificilmente são encontrados nos grandes magazines ou livrarias online. E faz, assim, um recorte que preza pela inclusão de autores independentes, pouco conhecidos e/ou acessados. A livraria possui estantes como feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais, ciências sociais, entre outras, mas tudo voltado à cultura negra. Um breve passeio pela loja online e é possível encontrar livros de autoras como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes, Maria Firmino, Noémia de Sousa, entre outras. Ao todo, quase 80 títulos diferentes estão disponíveis para compra. Além do ...

Midian

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Midian era uma das duas únicas crianças negras de sua turma no colégio. Ela conta que, nessa época, seus colegas de turma advertiam uns aos outros para que não encostassem nela, do contrário poderiam se sujar com sua pela negra. Quando criança, nos intervalos de aula, as meninas se reuniam para brincar de boneca. Ao se aproximar do grupo para brincar, ela era expulsa da brincadeira com tapas no rosto dados pelas crianças que não a queriam por perto. Não foi uma ou duas vezes, foram diversas vezes. Aos 15 anos, quando passou a ter vários problemas dentro de sua casa, Midian começou a engordar. Desde então, ela não conseguiu mais recuperar seu peso anterior. Isso começou a ser um problema, tanto dentro de casa quanto fora.  Ela tentou, por muito tempo, enquadrar-se ao padrão de beleza que a sociedade nos impõe, fazendo dietas, tentando alisar o cabelo, vestindo-se como a maioria. Suas amigas sempre se encaixaram no padrão de beleza e ela, por ser diferente, começou a se excluir mui...
Olá! Meu nome é Naiara, sou estudante de Jornalismo na PUC-Rio e estou aqui porque quero fazer desse espaço uma forma de revolução. Nos últimos tempos aprendi que viver é sobrenatural. E incômodo. Não se pode andar nua nem de corpo nem de espírito, quando se é mulher. Que às vezes precisamos ser estupradas, todos os dias um pouquinho mais, pra percebermos que estamos asperamente vivas, que dor é vida exacerbada. Aprendi que às vezes é preciso descolar-se de si própria, gritar enlouquecida diante da multidão para travar uma luta com o mundo. Hoje, preste bem atenção: dou vida a algo que vai gritar pro mundo a minha e a dor de todas as mulheres. O blog nasceu pra representar e empoderar, por meio do jornalismo e da arte, mulheres negras, bissexuais, lésbicas, transexuais, gordas, deficientes físicas, autistas, indígenas, nascidas na guerra. É pelas mulheres do candomblé, poetas, artistas, escritoras, carcerárias, viciadas, depressivas, para as jovens grávidas e para as que...